Stereo92 fucks Alejo Ospina
A batida grave vazava por baixo da porta do estúdio, fazendo tremer as latinhas de tinta na prateleira. Alejo Ospina encostou o ouvido na madeira, tentando identificar a música.
— Stereo92 — murmurou, reconhecendo a assinatura sonora do amigo.
Empurrou a porta. Lá dentro, Stereo92 estava de costas, os fios do headphone colorido escapando por baixo do boné. Os dedos voavam sobre a controladora, ajustando equalização, cortando frequências, adicionando camadas.
— Já são 4 da manhã — Alejo avisou.
Stereo92 não respondeu. Continuou mexendo, hipnotizado pela música que construía.
Alejo se aproximou, olhou para a tela. Reconheceu a faixa — era a que tinham começado juntos na semana passada. Mas agora estava diferente. Mais densa. Mais escura.
— Você mudou tudo.
— Melhorei tudo — Stereo92 corrigiu, ainda sem olhar.
Alejo sentou no sofá rasgado, acendeu um cigarro.
— Sabe o que dizem sobre você na rua?
— Não ligo.
— Dizem que você ouve coisas que ninguém mais ouve. Que suas músicas contam histórias de mortos.
Stereo92 finalmente virou, os olhos vermelhos de insônia.
— E quem disse que não contam?
A batida continuou, grave e pulsante, preenchendo o silêncio que ficou.




