Special Valentine’s – Kai Reynolds bottoms for Legrand Wolf

O céu de Nova Orleans tinha a cor de um ferimento antigo, púrpura e dourado, na noite em que Kai Reynolds perdeu completamente o rumo. Ele estava na cidade para um congresso de arquitetura, mas as linhas retas e os projetos de vidro que apresentava pareciam uma piada diante daquela arquitetura orgânica e decadente. Fugindo dos coquetéis, ele se embrenhou no Marigny, e foi assim que parou, desnorteado, diante da fachada cor-de-rosa desbotada de uma casa com uma placa simples: “L. Wolf — Luthier & Restaurações”.
A porta estava entreaberta. Uma melodia triste e perfeita, um blues de violino, escorria por ela. Kai empurrou-a, o coração batendo forte por uma razão que não entendia. A oficina era um caos sublime: lascas de madeira dourada como fios de sol, ferramentas penduradas como esculturas, e o cheiro profundo de verniz, tempo e cedro. No centro, de costas para ele, estava um homem que parecia ter sido talhado da própria madeira que trabalhava. Seus braços, fortes e cobertos de tatuagens que contavam histórias de árvores e instrumentos antigos, moviam-se com uma reverência hipnótica sobre as curvas de um violoncelo.




