Sexercise Part 2 — Malik Delgaty & Mateo Zagal

Malik Delgaty encontrou Mateo Zagal no fundo do poço.
Não um poço de verdade, mas o buraco que a vida cava sob seus pés quando você menos espera. Malik estava sentado no chão de um galpão abandonado, as costas contra a parede descascada, quando a porta rangeu e uma silhueta recortou a luz da rua.
“Disseram que você estava aqui,” Mateo falou, a voz grave ecoando no vazio.
“Disseram errado.”
Mateo ignorou a rispidez. Aproximou-se, os passos calculados, e sentou-se ao lado de Malik. Não perguntou o motivo. Não ofereceu consolo barato. Apenas ficou ali, ombro contra ombro, enquanto a noite engolia o galpão.
Minutos se passaram. Ou horas.
“Eu não vim te salvar,” Mateo disse finalmente. “Vim te lembrar que ainda existe amanhã.”
Malik virou o rosto, os olhos cansados encontrando os do outro. “E se eu não quiser o amanhã?”
Mateo segurou seu pulso, firme. “Não importa. O amanhã vem assim mesmo. Melhor enfrentarmos juntos.”
O silêncio que seguiu foi diferente. Mais leve. Malik apoiou a cabeça no ombro de Mateo e, pela primeira vez em meses, sentiu que ainda havia chão sob seus pés.






