Sean Xavier gets fucked by RomeoGotDick

O salão do antigo teatro municipal cheirava a poeira e segredos. Sean Xavier, o diretor, observava os ensaios com um olhar que misturava tédio e perfeccionismo. A produção de “Romeu e Julieta” estava anêmica, sem vida.
“Pare!”, ele gritou, esfregando os olhos. “Romeu está sem convicção. Onde está a paixão? A urgência?”
O ator no palco, um jovem de físico avantajado e ar sempre confiante, baixou sua espada de madeira. Seu nome artístico era **RomeoGotDick**, uma escolha duvidosa que ele defendia como “marca pessoal”. Fora dos palcos, era apenas Romão, um rapaz de sorriso fácil e energia contagiante.
“O problema, diretor”, disse Romão, pulando do palco com agilidade surpreendente, “é que você está encenando um monumento, não uma história. Está tudo perfeito, limpo… e morto.”
Sean ficou rigidamente ofendido. “Eu estudo Shakespeare desde antes de você nascer.”
“E eu vivo paixões desde que me entendo por gente”, revidou Romão, sem malícia, mas com uma convicção desarmante. “Deixe-me mostrar algo.”
Antes que Sean pudesse protestar, Romão subiu novamente ao palco, pegou a mão da atriz que fazia Julieta e, em vez do diálogo esperado, começou a recitar as linhas em um sussurro urgente, quase coloquial. Seus olhos não procuravam a platéia, mas os dela. Seu corpo, antes apenas forte, agora parecia um fio esticado, tenso com desejo e temor. Não era atuação; era uma verdade momentânea.
Sean Xavier ficou paralisado. Viu, naquele instante, não um ator exibicionista, mas um canal puro de emoção humana. A qualidade que faltava em sua direção meticulosa: o caos do coração.
Após o ensaio, Sean procurou Romão nos bastidores poeirentos. “Como você faz isso?”, perguntou, a arrogância dissolvida em curiosidade genuína.
Romão enxugou o suço com uma toalha. “Você pensa demais, Sean. Sente de menos. Romeu não é sobre palavras bonitas; é sobre um impulso que te despedaça por dentro. Como quando você vê algo tão lindo que dói.”
Havia um desafio naqueles olhos. Um desafio que, para surpresa de Sean, não era irritante, mas magneticamente atraente.
Nos dias seguintes, uma dinâmica nova nasceu. Sean, o arquiteto, começou a ceder espaço para a intuição. Romão, a força bruta da emoção, começou a apreciar a estrutura, o ritmo, o silêncio que dava poder ao grito. Sean dirigia Romão, mas Romão, por sua vez, direcionava Sean a um território desconhecido: o do seu próprio sentir.
A atração cresceu na sutileza dos toques ao ajustar um movimento, no calor compartilhado de uma garrafa de água após uma cena intensa, no silêncio carregado que ficava entre eles quando todos saíam. Sean, sempre contido, se viu fascinado pela forma crua como Romão existia. Romão, por sua vez, viu além da fachada severa do diretor, percebendo a vulnerabilidade de um artista que temia que seu controle fosse tudo o que tinha.
Na noite de estreia, durante o discurso de Romeu no balcão, algo aconteceu. Quando Romão disse “**É o leste, e Julieta é o sol**”, seus olhos encontraram os de Sean nos bastidores. Não era Julieta que ele via como sol naquele instante; era a centelha de entendimento que havia acendido entre eles, um fogo que iluminou a escuridão ordenada da vida de Sean.
O sucesso foi estrondoso. Críticos falaram de uma “revolução” na encenação clássica. Mas para Sean e Romão, a verdadeira revolução aconteceu nos bastidores, após a última cortina cair.
No palco agora vazio, iluminado apenas pela luz de emergência, Sean se aproximou.
“Você… explodiu todas as minhas certezas, Romão.”
O ator sorriu, seu codinome pretensioso parecendo irrelevante agora. “E você, Sean Xavier, deu um lar para toda essa explosão. Você a organizou em algo belo.”
Sean estendeu a mão, tocando o rosto de Romão, ainda maquiado. A textura era irreal, mas o calor era verdadeiro. Era um gesto de diretor, de amante, de alguém que finalmente aprendera a linguagem do impulso.
“E agora?”, sussurrou Romão.
“Agora”, Sean respondeu, fechando a distância entre eles, sua voz um fio de som no grande salão silencioso, “agora escrevemos nosso próprio ato. Sem roteiro.”
E na penumbra do palco, onde tantas ficções haviam ganhado vida, uma nova história, pequena, íntima e verdadeira, começou a ser encenada. Não entre Romeu e Julieta, mas entre Sean e Romão; não sobre famílias divididas, mas sobre pontes construídas; não sobre uma tragédia, mas sobre um improvável e perfeito começo.




