Santos Levante and Thor Phux fuck
Santos Levante subia escadas que não levavam a lugar nenhum.
Era o que fazia. Prédios abandonados, obras paradas, mirantes fechados. Subia, olhava o horizonte, descia. Não fotografava, não anotava. Só via.
Thor Phux apareceu num viaduto interditado. Sentado na borda, pernas balançando, caderno no colo.
— Você desenha o quê? — Santos perguntou.
— O que você vê.
Santos parou. Olhou o rio cinza, os galpões ferrugem, a linha do trem.
— Não tem nada.
Thor continuou desenhando.
— Por isso.
Santos sentou ao lado. Ficaram em silêncio. O vento erguia as folhas do caderno.
— Seu nome é estranho — Santos disse.
— Phux. Meu avô inventou. Disse que era o barulho de uma flecha.
— Acertava?
— Nunca.
Thor mostrou o desenho. Um homem de costas, parado na borda de um viaduto, olhando o nada.
Santos reconheceu as próprias costas.
— Você desenha rápido.
— Só o que fica.
Thor arrancou a folha. Entregou.
Santos segurou o papel com as duas mãos.
— Quanto custa?
Thor guardou o caderno.
— Sobe uma escada comigo.
Subiram o viaduto interditado, os carros passando lá embaixo, o céu aberto acima.
Nenhum dos dois olhou para trás.




