Ruggery Valdivia era um relojoeiro paciente. John Bronco, um piloto que vivia na contramão do tempo.
John entrou na oficina com um cronômetro quebrado. “Conserte isso até amanhã. Minha carreira depende disso.”
Ruggery examinou a peça. “Este medidor pertenceu ao seu pai. Ele também corria?”
John baixou os olhos. “Morreu numa curva. Por isso corro: para superá-lo.”
O velho suspirou. “Você não supera quem se ama. Você honra.”
Trabalhou a noite inteira. Na manhã seguinte, devolveu o cronômetro. Mas havia algo a mais — uma gravação nas costas da peça: *”O tempo não é para vencer. É para viver.”*
John quis discutir, mas calou-se. Na primeira corrida, ao invés de arriscar a curva fatal, reduziu. Perdeu a prova. Ganhou o resto da vida.
Voltou à oficina. Apertou a mão de Ruggery. E entendeu que alguns homens marcam o tempo — outros ensinam a usá-lo.

