River North fucks Miles Fallon

River North fluía como seu nome, serenamente, entre as hortelãs e lavandas de sua floricultura urbana. Miles Fallon era um geólogo, um homem de rocha firme e previsível, que estudava as camadas profundas da terra.
Seus mundos se tocavam na feira semanal. River vendia fragrâncias efêmeras; Miles, pedras eternas. Ele comprava um ramo de alecrim todas as quartas-feiras. Ela admirava a precisão com que ele escolhia cada seixo.
Um inverno rigoroso congelou o sistema de irrigação de River. Desesperada, ela viu suas plantas murcharem. Miles apareceu, não com flores, mas com um mapa hidrogeológico. “Aqui”, apontou para um ponto no jardim, “há um lençol freático raso.” Cavou com suas mãos fortes até a água brotar, fria e pura.
River, em lágrimas de gratidão, plantou um jardim de suculentas ao redor do novo poço. Miles, pela primeira vez, viu a beleza não na eternidade das rochas, mas no ciclo frágil e persistente das coisas que crescem.
Agora, a floricultura tem uma seção de cristais. E a bolsa de campo de Miles sempre carrega um pequeno ramo de lavanda seco. O amor deles é como o rio e a rocha: ele dá fundamento ao seu sonho, e ela suaviza, com raízes e pétalas, a superfície dura do seu mundo.




