Rey Kong vivia de selvas urbanas: músculos que desafiavam gravidade, olhar de quem domina. Bastian Karim preferia a sombra: dedos que desenham o que a boca não diz, coração de vidro fosco.
Numa luta clandestina, Rey vencia mais um oponente. A plateia rugia. Bastian, no canto, esboçava traços.
Rey desceu do ringue, suado. “O que desenha?”
“Sua solidão.”
Rey riu, duro. “Não sou solitário.”
Bastian mostrou o papel: um gigante de costas para o mundo.
O silêncio pesou. Rey sentou-se ao lado. E ali, entre golpes e esboços, o invencível aprendeu que ser visto por dentro dói menos que qualquer luta.

