
O deserto engolia o sol quando Oz Daddy parou a caminhonete na frente do rancho abandonado. Desligou o motor e esperou.
A poeira ao longe anunciou antes do motor. A moto cortou o silêncio, freou na frente dele, levantando nuvem.
Rey Cazador tirou o capacete, os olhos apertados contra a luz.
— Achei que não vinha — Oz disse.
— Achei que não ia chamar.
Desceram. O vento quente empurrava areia pelas tábuas soltas.
— Sete anos — Rey continuou. — Sete anos sem se falar.
— Eu sei contar.
— Então por que agora?
Oz acendeu um cigarro, ofereceu. Rey recusou.
— Porque tô morrendo.
O vento levou a fumaça. Rey ficou paralisado.
— Mentira.
— Verdade. Seis meses, no máximo.
Rey sentou na varanda, as mãos pendendo entre os joelhos.
— E me chamou por quê?
Oz sentou ao lado.
— Porque você é a única pessoa que eu conheço que não vai perguntar por quê.
O silêncio caiu. O deserto quieto ao redor.
— Quer que eu fique? — Rey perguntou.
— Quero.
— Então fico.
O sol se pôs atrás das montanhas. Dois homens no meio do nada, esperando o fim de um e o começo de tudo.






