Dom Llamas vivia no alto da colina, guardando um rebanho de nuvens que pastavam no céu azul. Cada tarde, ele as chamava com sua flauta de junco, e elas vinham, tingidas de rosa e laranja pelo sol poente.
Na cidade abaixo, Marco Cruz consertava relógios. Suas mãos cuidadosas davam vida a engrenagens silenciosas, mas seu olhar sempre fugia para a colina e para o velho pastor das nuvens.
Um dia, uma tempestade silenciosa roubou as nuvens de Dom Llamas. O céu ficou vazio e pálido. Desolado, o velho deixou sua flauta cair. Foi então que ouviu um *tic-tac* delicado vindo da cidade.
Marco Cruz subiu a colina, carregando um pequeno relógio de pêndulo. “As nuvens se perderam no tempo”, disse ele, ajustando uma engrenagem minúscula. “Vamos encontrá-las.”
Juntos, o pastor e o relojoeiro combinaram suas artes. A flauta de Dom Llamas emitiu uma nota pura, e o relógio de Marco Cruz respondeu com um carrilhão perfeito. Das entranhas do mecanismo, uma nuvemzinha branca escapou, seguida por outra, e outra.
Ao cair da noite, o rebanho celestial dançava novamente sobre a colina, agora com novas constelações formadas por engrenagens de prata. Dom Llamas sorriu, e Marco Cruz entendeu que alguns tesouros não se guardam em caixas, mas sim no vasto céu da amizade.

