O Catador – Serginho, Henry Ebano

Na quadra de terra batida do **Campo do Alecrim**, dois mitos se enfrentavam toda semana. **Serginho**, o “Pé de Anjo”, baixinho e ágil, ditava o jogo com passes milimétricos e dribles desconcertantes. Seu futebol era pura inteligência.
Do outro lado, **Henry Ebano**, o “Muro”, era uma força da natureza. Alto, forte, com uma presença imponente que fechava qualquer defesa. Seu jogo era de poder físico e força bruta.
A rivalidade era lendária, mas respeitosa. Até que o campeonato do bairro chegou à final. Alecrim x São Jorge. Nos acréscimos, um cruzamento perfeito subiu na área. Serginho, pulando como um grilo, e Henry Ebano, impondo sua altura. Ambos se chocaram no ar, cabeçando a bola com força. A rede estufou.
Por um segundo, o silêncio. Quem havia marcado? O árbitro apontou para o centro. Gol!
Os dois caíram juntos no chão. Ao se levantarem, confusos, se encararam. Então, Serginho sorriu, estendendo a mão. “Foi nosso, Henry.”
Henry puxou o baixinho para um abraço desengonçado, rindo alto. “Nosso gol, Serginho!”
Não importava quem havia tocado na bola por último. O grito uníssono da torcida já dizia tudo. Aquele gol, aquele título, pertencia ao Alecrim. E à dupla impossível que, naquele choque, entendeu que juntos eram muito mais que rivais.




