Nando breeds this muscle power bottom – Jace Starr, Nando Magno
Na selva de concreto e néon de Nova Arcádia, dois homens viviam vidas que eram reflexos distorcidos uma da outra.
Jace Starr era um prodígio. Aos vinte e dois anos, já era o programador-chefe da Starlight Dynamics, a empresa que desenvolvia os algoritmos de realidade aumentada que ornavam os arranha-céus da cidade com anúncios personalizados e sonhos digitais. Ele era um gênio reconhecido, um wunderkind que vivia em um loft minimalista no 50º andar, cercado por telas que exibiam códigos verdes fluindo como cachoeiras. Sua mente era um cosmos de lógica e inovação, mas seu mundo emocional era um deserto. Ele resolvia problemas de bilhões, mas não conseguia decifrar a própria solidão. Seu brilho era intenso, mas isolado, como uma estrela de nêutrons.
Nando Magno era o motor que mantinha um pequeno quadrante daquela máquina gigante funcionando. Dono e operador do “Magno’s Diner”, um restaurante de 24 horas encravado entre dois prédios corporativos, seu mundo era de gordura quente, café forte e conversa fiada. Seu nome verdadeiro era Fernando, mas todos o chamavam de Nando Magno por causa de sua presença sólida, seus braços largos de ex-jogador de beisebol e sua voz que acalmava brigas e insônia com igual eficácia. Ele conhecia seus clientes pelo nome, pelo pedido padrão, pelo problema no casamento. Era um psicólogo, um nutricionista e um porto seguro, tudo envolto em um avental manchado de molho. Sua vida era tátil, imediata, humana.




