Nacho Newson bottoms for Igor Miller

A redação do Metropolis Daily cheirava a café velho e desespero. Nacho Newson, um repórter em fim de carreira com um paletó puído e um faro para notícias que ninguém mais queria, olhava para a tela em branco. Sua última designação: uma nota sobre a reforma do sistema de calefação do Museu de Ciências Naturais.
Foi então que o telefone público no corredor tocou. Uma voz rouca e metálica, sem emoção, falou:
“Pergunte sobre o Dr. Igor Miller. Projeto Fênix. Subsolo do Instituto de Biociências. Meia-noite.”
A linha caiu.
Igor Miller. O nome era uma lenda sombria. Um gênio da bioengenharia cuja carreira ruíra anos atrás após um experimento falho não revelado. Desaparecido do mundo acadêmico. Dizia-se que ele estava morto ou enlouquecido, trabalhando em algo impossível em um laboratório clandestino.
Nacho sentiu um frio na espinha que não era do ar condicionado defeituoso. Era o mesmo frio que sentira décadas atrás, antes do jornalismo virar preencher lacunas. Era o cheiro de uma história real.
À meia-noite, sob uma chuva fina, Nacho estava na traseira do Instituto de Biociências. Uma porta de serviço, incongruentemente nova, estava destrancada. Ele desceu uma escada de metal para um subsolo que não constava nas plantas. O ar era frio, esterilizado, com um cheiro doce e fúngico.
O laboratório era uma caverna de aço e vidro. E no centro, entre tubos de ensaio e telas piscando, estava Igor Miller. Ele não era o homem desgrenhado da lenda, mas um espectro pálido e impecável, de óculos de aro fino.
“Newson. Você veio. O único que ainda se importa com fatos, não com cliques.”
“O que é o Projeto Fênix, Miller?”, perguntou Nacho, a mão tremendo ligeiramente sobre o gravador.
“Ressurreição”, respondeu o cientista, tocando um botão. Um tanque cilíndrico se iluminou, revelando uma massa pulsante de tecido, rosada e viva. “Não de corpos, mas de ecossistemas. De espécies. Este é um fragmento de um recife de coral extinto há cinquenta anos. Estou reavivando seu código genético base.”




