
O cenário do reality show “Conquista Galáctica” era um estúdio brilhante e falso. **Mika Ayden**, a produtora, orquestrava o drama de dentro da sala de controle, seus fones de ouvido um portal para um universo de conflitos fabricados. **Jordan Star**, o apresentador, era seu instrumento perfeito na tela, um sorriso de dentes brancos que fazia perguntas cortantes com uma calma assassina.
O alvo da noite era **Alfonso Osnaya**, o “nerd espacial”, tímido e autêntico, cujo crime foi saber demais sobre exoplanetas e muito pouco sobre como ser um vilão de TV.
Sob as luzes quentes, Jordan lançou a isca, tentando provocar uma explosão de Alfonso. O público esperava lágrimas ou raiva.
Mas Alfonso apenas piscou, olhou diretamente para a câmera e, com uma voz suave, explicou a beleza de um eclipse em uma lua de Saturno. Falou com tal pureza e paixão que o falso drama do estúdio pareceu, de repente, patético e pequeno.
Na sala de controle, Mika congelou. O áudio em seus ouvidos não era de conflito, era de poesia. Ela viu a expressão calculada de Jordan vacilar por uma fração de segundo, substituída por genuína curiosidade.
Mika fez algo nunca feito. Sussurrou no ouvido de Jordan: “Pare. Apenas… escute.”
Jordan, o mestre do espetáculo, fez exatamente isso. E naquele silêncio inesperado, perante milhões, um homem falando sobre estrelas conquistou mais do que um jogo – ele lembrou a todos o verdadeiro brilho que um reality show nunca poderia fabricar.




