
Matt Lian e Andres Henri se encontraram no único lugar onde dois fugitivos podiam ser honestos: um cemitério de trens abandonados, às três da manhã.
— Você trouxe o mapa? — Matt perguntou, a gola do casado encharcada de chuva.
Andres sorriu. Não um sorriso comum, desses que confortam. Era o sorriso de quem já perdeu tudo e aprendeu a rir do fundo do poço.
— O mapa está aqui — Andres bateu na própria têmpora. — E você trouxe a coragem?
Matt hesitou. Haviam roubado um cofre, sim, mas não ouro. Dentro dele, apenas uma fita cassete com a voz de um homem morto há vinte anos — o pai de Andres.
— Eu só queria ouvir de novo — Andres admitou. — Mesmo que isso signifique voltar pra cadeia.
Matt fitou o amigo. Guardou a fita no bolso do peito, bem perto do coração.
— Então a gente corre. Juntos.
Não houve abraço. Não houve discurso. Apenas dois homens entrando na noite, ombro a ombro, enquanto a primeira fita começava a rodar num walkman desbotado: *”Filho, se você está ouvindo isso, é porque eu errei. Mas você não precisa repetir os meus erros.”*




