Master Ikarus and Sam Muller – A Hairy Stallion For A Virile Fuck

Master Ikarus não era um homem, mas um título. Era o Guardião da Ponte de Cristal, uma estrutura imensa e translúcida que arqueava sobre o Abismo do Silêncio. Sua vida era uma liturgia de precisão: calibrar os cabos de luz, ler os painéis de força e manter o vão seguro para as raras almas autorizadas a cruzá-lo. Sua existência era silenciosa, fria e previsível como o brilho constante dos cristais.
Sam Muller era uma tempestade em forma humana. Uma engenheira de sistemas enviada do “Mundo de Fora” para fazer uma inspeção de rotina da antiga ponte. Ela chegou com ruído, com ferramentas que cantavam, com um tablet cheio de diagnósticos cintilantes e com o hábito irritante de assobiar melodias antigas enquanto trabalhava.
Ikarus observava, impassível, enquanto ela violava a sagrada quietude. Ela tocava em tudo, questionava os protocolos estabelecidos há séculos e chamava a Ponte de “maravilha da engenharia obsoleta”. Ele a chamava, mentalmente, de “caos ambulante”.
O conflito era inevitável. “Sua reverência está cega para a fragilidade,” ela argumentou, apontando para uma microfissura quase invisível em um dos pilares principais. “Sua obsessão com dados está desprezando a alma desta estrutura,” ele contra-atacou, defendendo a intuição que vinha de décadas de convivência com a ponte.
A crise veio durante uma tempestade de energia estática, um fenômeno raro que fez a ponte vibrar e gemer. Os sistemas automatizados falharam. Ikarus, operando por instinto puro, correu para os controles manuais, uma série de alavancas e rodas de ébano esquecidas no núcleo da ponte. Sam o seguiu.
No coração da tormenta, com as luzes piscando e o cristal rangendo, eles trabalharam. Não como mestre e intrusa, mas como uma única unidade. Ele conhecia cada curva, cada ponto de tensão. Ela entendia a lógica por trás da falha, prevendo os picos de energia. Ele puxava uma alavanca gritando um comando; ela já estava lá, girando a roda complementar. Seus corpos se moviam em um dueto perigoso, suando, respirando ofegantes, as mãos se encontrando no metal frio, os olhares se cruzando no escuro entre um clarão e outro.
Quando a tempestade passou, a ponte estava salva. Eles ficaram no núcleo, encostados no painel de controle, a adrenalina cedendo a um silêncio diferente. Não mais o silêncio da solidão, mas um silêncio compartilhado, cheio do eco do perigo enfrentado juntos.
Sam limpou uma mancha de graxa no rosto, ofegante. “Nunca vi ninguém mover-se assim por esta ponte. É como se fosse parte de você.”
Ikarus, pela primeira vez em memória viva, sentiu o peso solitário do título “Master”. Olhou para suas mãos, calejadas, e depois para as dela, manchadas de óleo. “Ela nunca falou comigo,” ele disse, sua voz rouca. “Até hoje.”
Sam sorriu, um sorriso cansado e genuíno que fez algo em seu peito, mais rígido que cristal, rachar suavemente.
No dia seguinte, Sam não assobiou. Observou Ikarus fazer sua ronda matinal, mas agora ele parava, apontava detalhes, explicava em voz baixa o “porquê” dos rituais. Ele, por sua vez, começou a fazer perguntas sobre seus diagnósticos, sobre o “Mundo de Fora”.
Ela não partiu no helicóptero de retorno. Pediu uma extensão da inspeção. “A ponte precisa de um upgrade nos sistemas,” justificou aos superiores. A verdade, não dita, ficou pairando na Ponte de Cristal.
À noite, eles se encontravam no ponto mais alto do arco. Ela mostrava a ele constelações que seu mundo havia nomeado. Ele lhe mostrava como a ponte absorvia a luz das estrelas e a guardava, emitindo um brilho suave até o amanhecer.
Um mês depois, durante o turno da noite, Ikarus encontrou Sam dormindo enrolada em um cobertor perto do painel central. Ao seu lado, ela havia deixado um desenho técnico. Era a ponte, mas com duas pequenas figuras de mãos dadas no centro do vão, e uma seta apontando para elas com a palavra, escrita à mão: “Atualização Principal Concluída”.
Master Ikarus, guardião da solidão, ajoelhou-se suavemente ao seu lado. E, rompendo o protocolo final, tocou seus cabelos desalinhados. Sam murmurou em seu sono e inclinou o rosto para seu toque.
Ele, então, entendeu a verdadeira medida da queda: não era a profundidade do Abismo do Silêncio abaixo deles, mas a distância vertiginosa e doce que ele havia percorrido desde sua torre de isolamento até aquele toque. E descobriu que, pela primeira vez, não temia a queda. Porque não estava mais caindo sozinho.




