Mario Galeno fucks Nelso Garcia
O estúdio de **Mario Galeno** cheirava a tinta óleo e café forte. Era um lugar caótico, onde telas meio-finished dividiam espaço com pilhas de livros de arte e esboços amassados. Mario, um homem de cabelos grisalhos sempre um pouco despenteados e olhos que viam cores onde outros viam apenas formas, era um pintor de mão cheia, mas de coração vazio. Há meses enfrentava um bloqueio criativo que nem mesmo o seu café turco, forte e amargo, conseguia dissolver.
Do outro lado da rua, funcionava a oficina de **Nelso Garcia**. Lá, o cheiro era de gasolina, graxa e metal limpo. O lugar era uma antítese do estúdio de Mario: organizado, metódico, onde cada ferramenta tinha seu lugar. Nelso, com suas mãos calejadas e um sorriso fácil, era um mecónico de motores antigos, um restaurador de almas metálicas. Ele ouvia o ronco de um motor e sabia sua história, seus males, seu remédio.
Os dois eram vizinhos há anos, separados por uma rua estreita e um abismo de silêncio. Mario via Nelso como um homem prático, destituído de poesia. Nelso via Mario como um sonhador distante, alheio ao mundo real.
O ponto de ruptura veio em uma tarde chuvosa. A moto clássica de Mario, sua única extravagância, recusava-se a dar partida. Desolado, ele olhou através da rua para a oficina iluminada. Com um suspiro, atravessou a rua, sentindo-se como um astronauta indo para um planeta desconhecido.
Nelso não fez perguntas. Apenas acenou com a cabeça para Mario entrar. Enquanto a chuva batia no telhado de zinco, Mario observou, fascinado, enquanto as mãos de Nelso dançavam sobre o motor. Ele não via apenas um mecânico trabalhando; via um cirurgião, um maestro regendo uma sinfonia de peças. A precisão, o conhecimento tácito, a forma como ele *sentia* o problema… era uma forma de arte.
— Às vezes, não é uma peça quebrada — disse Nelso, sem levantar os olhos do carburador. — É o ritmo que está errado. A respiração da máquina.
Aquela frase simples ecoou na mente de Mario como um raio. *O ritmo. A respiração.*
No dia seguinte, Mario não tentou pintar uma paisagem ou um retrato. Ele pegou uma tela em branco e começou a pintar a oficina de Nelso. Não uma representação realista, mas uma explosão de cores e formas que capturassem a *essência* do lugar: o dourado do óleo, o prateado das ferramentas, o vermelho vibrante de um pano de limpeza, o movimento circular de uma chave inglesa. Pintou a energia, o ritmo, a respiração daquele universo.
Weeks later, with the motorcycle purring like a satisfied cat, Mario invited Nelso to his studio to settle the bill. When Nelso entered, he froze. There, on the easel, was his workshop. But it wasn’t a photograph. It was a feeling. He could almost hear the hum of the machines, smell the grease. He saw the beauty and order of his world, a beauty he had never perceived, translated into color and emotion.
— Eu… não sabia que minha oficina era assim — sussurrou Nelso, comovido.
— E eu não sabia que consertar um motor podia ser assim — respondeu Mario, com um sorriso. — Parecia… pintura.
A rua que separava o estúdio da oficina nunca mais pareceu tão larga. Mario aprendera que a arte não está apenas na paisagem, mas também no modo como se ajusta um parafuso com cuidado. E Nelso descobriu que a poesia não está apenas nos livros, mas também no desenho preciso de um pistão.
O bloqueio criativo de Mario se dissolveu, não no café, mas na graxa e na generosidade de um mecânico. E a oficina de Nelso ganhou um novo quadro na parede, um lembrete de que até mesmo o mundo mais prático pode ser visto com os olhos de um artista.




