MacroBA and Peixoto fuck
O armazém do porto cheirava a peixe seco e segredos. MacroBA, um homem de terno impecável em meio à sujeira, batia os dedos sobre uma caixa de madeira lacrada.
“Onde está o carregamento?”, perguntou, a voz baixa como lâmina.
Peixoto, um velho de pele curtida pelo sol e olhos pequenos e espertos, cuspiu no chão antes de responder. “O senhor chega atrasado, Macro. A maré não espera. O carregamento já desceu.”
“Desceu para onde?”
“Para quem pagou primeiro.” Peixoto tirou o chapéu, coçou a cabeça. “O negócio é assim: lealdade se compra. O senhor comprou mal.”
MacroBA estendeu a mão e um capanga entregou uma pasta. Ele jogou sobre a caixa. “Isso cobre o dobro. E uma lição: não se vira as costas para quem financia o seu porto.”
Peixoto pegou a pasta, abriu, viu os números. Sorriu, mostrando dentes ralos. “Justiça seja feita, MacroBA. O senhor sempre foi o mais generoso.”
“Gosto de pensar que sou o mais lembrado”, respondeu Macro, virando as costas. “Cuide para que continue assim.”
Quando o carro preto sumiu na curva, Peixoto guardou o dinheiro e acendeu um cigarro. “Lealdade”, murmurou com um riso seco. “Coisa de quem não conhece o mar.”






