Luke Garrett e Skye Woods

A firma de arquitetura “Garrett & Stone” respirava concreto, aço e linhas retas. **Luke Garrett**, seu fundador, era um homem de ângulos retos e orçamentos inflexíveis. Seus projetos dominavam horizontes, imponentes e impessoais.
A contratação de **Skye Woods** foi uma concessão ao “elemento humano”. Ela era arquiteta paisagista, mas para Luke, era basicamente uma jardineira glorificada. Enquanto ele erguia paredes de vidro, ela falava em fluxo, texturas naturais e “amolecer as bordas”.
Seu grande projeto, um museu cívico, foi um campo de batalha. Luke apresentou uma estrutura geométrica pura. Skye sobrepôs, com transparências, trepadeiras escalando uma fachada e um átrio que se abria para um bosque de bétulas.
“É sentimentalismo,” Luke rosnou. “A natureza entra, suja, custa caro.”
Skye não discutiu. Levou-o ao terreno, num fim de tarde. “Não é sobre colocar plantas, Luke. É sobre lembrar às pessoas do que elas estão *dentro*.”
Ele ficou em silêncio, observando a luz do poente filtrar pelas árvores existentes, pintando o chão com padrões que nenhuma régua poderia traçar.
No dia da apresentação final, Luke Garrett mostrou as plantas. A estrutura imponente permanecia, mas agora, integrada aos desenhos fluidos de Skye. “A Senhora Woods me lembrou,” ele disse, sua voz contida, “que até a mais forte fundação precisa de um lugar para se enraizar.”
O museu, quando construído, não foi uma fortaleza, mas uma ponte. E Luke Garrett descobriu que a linha mais importante que um arquiteto pode traçar não é a que separa o interior do exterior, mas a que os une.




