Louis Jacks fucks Evander Johnson
Louis Jacks tinha um medo irremediável de palcos. Suas mãos, tão hábeis com ferramentas na marcenaria do pai, tremiam ante a simples ideia de segurar um microfone. A música, no entanto, corria em suas veias, um rio subterrâneo que ele só ousava explorar no silêncio de seu quarto, compondo versos em cadernos encadernados em couro.
Evander Johnson era tempestade em forma de gente. No palco do pequeno bar “O Beco”, sua voz grave preenchia todos os vazios, arrastando guitarras e corações com igual ferocidade. Após os shows, porém, a tempestade se dissipava, deixando para trás um silêncio que ecoava mais alto que qualquer aplauso.
Num domingo chuvoso de outono, o destino pregou uma peça desengonçada. Evander, em busca de um refúgio do próprio barulho, entrou numa cafeteria aconchegante e esbarrou em uma mesa, derrubando os cadernos de Louis no chão. Páginas se espalharam, cheias de letras rabiscadas e partituras improvisadas.
“Desculpa, deixe-me ajudar”, disse Evander, a voz ainda rouca do show da noite anterior.
“Está tudo bem, são só… rascunhos”, murmurou Louis, colhendo as folhas com as mãos trêmulas, tentando esconder a letra exposta.
Mas Evander já havia visto. E lido. Uma linha chamou sua atenção: “Meu silêncio é um violão sem cordas, à espera de suas mãos destemidas.”
Ele ficou parado, segurando uma página molhada de chuva. Olhou para o rosto corado de Louis, para suas mãos calejadas de marceneiro, e depois para os versos.
“Isso é… lindo”, disse Evander, sem o filtro habitual da pose de roqueiro. “Você escreve?”
Louis apenas assentiu, sem conseguir articular palavras.
“Minha banda… está procurando material novo. Algo autêntico. Algo assim.” A oferta saiu antes que ele pudesse pensar.
O que começou como uma colaboração profissional logo desmoronou todas as barreiras. Nas tardes na marcenaria, o cheiro de serragem se misturava ao som da guitarra acústica de Evander testando as melodias de Louis. Louis aprendia que sua voz, embora suave, não quebrava ao cantar suas próprias palavras. Evander descobria que a letra de outra pessoa poderia carregar e curar suas próprias dores não ditas.




