Leo Levine e Oliver Marks eram vizinhos e rivais. Leo cultivava um jardim impecável; Oliver, um caos de flores selvagens.
— Seu quintal é uma vergonha — disse Leo, apontando a tesoura de poda.
Oliver apenas sorriu. Naquela noite, uma tempestade destruiu as rosas simétricas de Leo. Pela manhã, viu Oliver recolhendo pétalas machucadas.
— Para chá — explicou. — E para você.
Leo franziu a testa. Dias depois, quando Oliver adoeceu, Leo invadiu o quintal bagunçado, colheu ervas e preparou um remédio que sua avó ensinara.
Oliver, surpreso, tossiu um riso fraco.
— Achei que odiasse meu jardim.
— Odeio — respondeu Leo, mas suas mãos continuaram a cortar as folhas com cuidado.
Ali, entre o caos e a ordem, algo desabrochou que nenhum dos dois sabia nomear.

