Kau Cobra e Andrey Cam são bons de foda amadora
A chuva grossa lavava as pedras do calçadão. Kau Cobra encostou-se na grade da praia, o capuz escorregando, os olhos fixos no mar revolto. As ondas pareciam ecoar o que ele sentia: uma tempestade sem nome.
— Você vai pegar uma pneumonia.
Kau virou-se. Andrey Cam segurava um guarda-chuva preto, a camisa social encharcada, a gravata pendendo frouxa. Recém-saído do escritório, provavelmente.
— E você vai estragar o terno.
Andrey riu, aproximou-se, dividiu o guarda-chuva. Ficaram assim, ombro a ombro, vendo a chuva açoitar o mar.
— Por que veio? — Kau perguntou.
— Porque te vi da janela do escritório. Você parecia… precisar de alguém.
Kau não respondeu. Apenas inclinou a cabeça, apoiando-a no ombro de Andrey. O guarda-chuva protegia os dois, mas o vento teimava em molhar seus rostos. Não importava.
Quando a chuva passou, Andrey desligou o guarda-chuva. Olhou para Kau, os olhos negros ainda vidrados no horizonte.
— Posso te ver de novo? — perguntou, quase tímido.
Kau desviou o olhar do mar. Encarou Andrey. Sorriu, um canto da boca apenas.
— Toda vez que chover, eu tô aqui.
E na semana seguinte, choveu de novo. E na outra. E todas as vezes, Andrey estava lá. Até que um dia, Kau apareceu sem chuva, só porque sim.






