Kane Fox detestava Vincent Grey. Ou pelo menos repetia isso para si mesmo todas as manhãs, quando Vincent entrava na sala com seu café e seu sorriso tranquilo.
Eram rivais no escritório. Sempre competindo pelo mesmo cliente, pela mesma promoção, pelo último pedaço de bolo na copa.
Na sexta-feira, o elevador quebrou. Ficaram presos entre o 12º e o 13º andar.
— Isso é culpa sua — Kane disse.
— Tudo é culpa minha — Vincent respondeu, sem tirar os olhos do teto.
Vinte minutos depois, Kane perguntou:
— Por que você sempre sorri?
Vincent virou o rosto.
— Porque você sempre olha.
O elevador voltou a funcionar. A porta abriu. Nenhum dos dois se mexeu.
— Se eu te convidar para um drink — Vincent disse baixo —, você vai dizer que odeia mim?
Kane engoliu seco.
— Vou.
— E depois?
Kane segurou a porta com a mão.
— Depois eu aceito.
Foram. Pediram o mesmo uísque. Competir nunca mais deixou de ser um pretexto.




