Kane A e Chris Damned – Foda com os putos

O relógio da matriz batia meia-noite quando Kane A encostou a moto vermelha no meio-fio. Capacetes pendurados no guidão, jaqueta de couro surrada. Esperava.
Chris Damned apareceu na esquina, passos lentos, mãos nos bolsos. A camisa preta desabotoada, o peito tatuado brilhando sob o poste.
— Achei que não vinha — Kane disse, sem descer da moto.
— Achei que não ia esperar.
Chris montou atrás, os braços envolvendo a cintura de Kane. O motor roncou, cortando o silêncio da cidade pequena. Estradas de terra, vento nos cabelos, nenhuma palavra.
Pararam no mirante. A cidade lá embaixo era um punhado de luzes piscando.
— Por que eu? — Chris perguntou, o rosto virado para o horizonte.
Kane demorou a responder. Acendeu um cigarro, tragou fundo.
— Porque você é o único que não tem medo de cair da garupa.
Chris riu baixo. Depois inclinou-se, roubou o cigarro, roubou um beijo. O vento levou a fumaça, a noite engoliu os dois.
Quando voltaram, a cidade ainda dormia. Mas alguma coisa, no peito de cada um, tinha acordado pra sempre.






