Jonathan Miranda fucked hard by Ruben Di Marco

A oficina mecânica fechava as portas. Jonathan Miranda passou o pano no balcão pela última vez, os movimentos lentos, como quem se despede de um amigo.
— Não acredito que vais vender isto — Ruben Di Marco surgiu na porta, a luz da rua recortando sua silhueta.
— Preciso do dinheiro. A minha mãe…
— Eu sei da tua mãe. Mas vender o teu sonho?
Jonathan largou o pano, apoiou as mãos no balcão. Vinte anos ali. Vinte anos a ouvir motores, a sentir cheiro de óleo queimado, a construir a vida peça por peça.
— E tu? Vais comprar? — perguntou, sem ironia.
Ruben entrou, sentou num banco sujo de graxa. Eram amigos desde miúdos, dividiam o mesmo bairro, as mesmas fomes, os mesmos sonhos.
— Não tenho dinheiro para comprar. Mas tenho para sociedade.
Jonathan franziu a testa.
— Sociedade? Tu és pedreiro.
— Era. Fiz um curso à noite, tirei carta de mecânico. Tô formado.
O silêncio encheu a oficina. Jonathan olhou para as ferramentas penduradas, para o elevador que tantos carros levantou, para o calendário de 2018 ainda na parede.
— Porque não disseste nada?
— Porque só agora fiquei bom o suficiente para não te envergonhar.
Jonathan riu, a primeira vez em semanas.
— Então vamos ver se és bom mesmo. Pega na chave inglesa.
Ruben levantou-se, um sorriso novo no rosto.




