Johnny Rapid – Fuck scene 3
Johnny Rapid sempre viveu no limite entre o gol e a glória. Atacante veloz, ganhou fama por decidir partidas nos acréscimos, mas também por desaparecer quando o time mais precisava de constância.
O problema, todos diziam, era a cabeça. Johnny ouvia os gritos da torcida como aplausos ou vaias, nunca como um meio-termo. Quando errava um gol, desabava. Quando acertava, flutuava tão alto que esquecia o chão.
Até que um técnico novo, de poucas palavras, o colocou no banco por três jogos seguidos.
— O senhor não sabe o que está fazendo — disparou Johnny, após o terceiro jogo sem entrar em campo.
O técnico esperou o silêncio.
— Você joga como se a partida terminasse no seu pé. Mas o jogo continua. Com você ou sem você.
Johnny passou a noite em claro. Na semana seguinte, pediu para conversar.
— Quero jogar. Mas quero aprender a continuar depois.
O técnico apenas acenou. No próximo jogo, Johnny entrou no segundo tempo, deu duas assistências e, no final, celebrou com os companheiros.
Não foi o gol mais bonito de sua carreira. Mas foi o primeiro em que ele não voou sozinho.






