Johnny Donovan and River North fuck – Ghosted

Johnny Donovan era fogo. Sua guitarra distorcida incendiava os becos de River North, o bairro que ele jurara escapar. Suas letras eram punhos cerrados contra o mundo.
River North, por sua vez, era gelo. Artista de spoken word, suas poesias eram rios profundos e silenciosos que mapevam a dor com precisão cirúrgica. Ele não gritava; sussurrava cortes.
Eles se esbarravam no mesmo café decadente, um templo para almas perdidas. Johnny o via como um esnobe. River o via como um barulho.
A gentrificação chegou como um rolo compressor, ameaçando demolir o café e sua alma. Num protesto, River subiu no palco improvisado e começou a declamar, mas sua voz foi engolida pelo burburinho. Foi então que Johnny, sem ser convidado, encostou seu violão. Não tocou um acorde de revolta. Tocou um fundo melódico, triste e vasto como o rio que dava nome ao poeta.
A voz de River ganhou asas sobre aquele tapete sonoro. A raiva de Johnny encontrou uma direção. Juntos, fogo e gelo criaram um vapor que embaçou os vidros dos tratores e uniu o bairro.
No fim, o café foi salvo. E Johnny Donovan e River North descobriram que a maior revolução não acontece num único tom, mas na corajosa harmonia dos opostos.




