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João and Master Ikarus – Two hot tattoed guys fuck hard

João não era ninguém. Ou melhor, era apenas mais um corpo no imenso vale de Vento-Seco, onde a terra era rachada e os sonhos murchavam antes de brotar. Trabalhava na plantação de sisal dos senhores, suas mãos já duras e cicatrizadas aos dezesseis anos, cortando folhas espinhosas sob um sol que não tinha piedade. Seu mundo era o pó, o cansaço e o horizonte plano e implacável. A única coisa que subia no céu eram os urubus.

Master Ikarus, por outro lado, era tudo. Era um mito. Um artífice do ar. Ninguém sabia de onde viera — alguns diziam do deserto, outros do mar, outros que ele próprio havia caído do céu e sobrevivido. Ele vivia num planalto isolado, no alto dos Penhascos do Corvo, e construía pipas. Não as pipas de criança de bambu e papel de seda, mas estruturas imensas, complexas, feitas de tecidos que brilhavam como escamas de peixe e estruturas leves como ossos de pássaro. Diziam que suas pipas podiam carregar o peso de um homem. Diziam que ele conversava com o vento e entendava a linguagem das correntes de ar.

João só o vira uma vez, de longe: uma silhueta contra o sol poente, segurando as linhas de algo que mais parecia um dragão de sonho pairando sobre o abismo. Naquele momento, algo preso no peito do menino, algo tão seco quanto a terra, desejou voar.

Foi um ato de loucura roubar um pedaço de lona velha e um novelo de barbante da plantação. Começou a construir sua pipa escondido, atrás do galpão de ferramentas, à luz de uma vela. Claro que foi um desastre. A estrutura era pesada, desequilibrada. Na primeira tentativa, ela rodopiou e espatifou-se contra o chão.

Foi então que a sombra apareceu. João ergueu os olhos, assustado, esperando o capataz. Mas era ele. Master Ikarus. Não parecia um deus; parecia um homem magro, com olhos claros que pareciam refletir o céu, e mãos finas e fortes marcadas por cortes e calos de linha. Vestia roupas simples, remendadas, mas limpas.

“O problema”, disse a voz, que era suave e firme como o vento no alto do penhasco, “não é o vento. É o peso que você carrega.” Ele apontou não para a pipa, mas para o rosto de João. “Você está tentando fazer ela subir com toda a raiva que tem no peito. Raiva é pesada. Pesa mais que a lona.”

Ikarus se agachou, pegou os destroços da pipa. Em minutos, com movimentos precisos, desmontou e começou a refazer. Enquanto trabalhava, falava. Falava sobre equilíbrio. Sobre como a estrutura precisa ser forte, mas ceder. Sobre como confiar na pressão do ar, não lutar contra ela. João escutava, hipnotizado. Nunca ninguém lhe ensinara nada assim. Nunca ninguém lhe dera palavras que não fossem ordens.

Nos meses seguintes, sempre que podia, João subia o íngreme caminho até os Penhascos do Corvo. Ikarus nunca o convidara formalmente, mas nunca o expulsou. Tornou-se seu aprendiz. Aprendeu a lixar bambu até ficar leve e flexível, a costurar a seda com pontos tão pequenos que eram invisíveis, a sentir a direção do vento pela umidade nos lábios. Aprendeu que o vento tem nome: a brisa da manhã era Alba, o vento forte da tarde era Corisco, o sopro suave do entardecer era Sussurro.

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