James Cassidy, Bryce Jax & Jake Daniel
James Cassidy era um luthier, um artesão do silêncio. Em sua oficina empoeirada, ele extraía música da madeira morta, esculpindo violinos que choravam histórias que as árvores haviam esquecido. Sua vida era um sussurro de lixas e verniz.
Bryce Jax era uma estrela do rock em queda livre. Sua música era um grito, sua vida um acorde distorcido de excessos. Depois de quebrar seu baixo favorito em um palco, em um ato de raiva autodestrutiva, ele foi parar na oficina de James, buscando um milagre.
Jake Daniel, o poeta performático e amigo de Bryce, acompanhou-o. Enquanto James examinava os estilhaços do instrumento com olhos de cirurgião, Jake recitava versos sobre cicatrizes e renascimento. Bryce rosnava para ele calar a boca.
James não consertou o baixo. Em vez disso, nas semanas seguintes, usando os fragmentos, ele construiu um novo instrumento. A madeira lascada foi lixada, mas não escondida; as rachaduras, preenchidas com resina dourada, brilhavam como veias de luz.
Na noite em que Bryce segurou o novo baixo, ele não parecia um rockstar. Parecia um homem vendo seu próprio caos transformado em arte. Quando seus dedos tocaram as cordas, o som que saiu não foi um grito, mas um rugido contido, profundo, curado. Jake sorriu, sem dizer uma palavra. James apenas acenou. A música, às vezes, precisa ser quebrada para encontrar sua verdadeira afinação.




