Jacob Lord vivia de músculos e silêncio: homem de ferro, poucas palavras, olhar pesado. Bastian Karim, ao contrário, flutuava em versos soltos, dedos manchados de tinta, sorriso fácil.
Encontraram-se numa academia vazia, madrugada. Jacob levantava peso sem parar. Bastian desenhava no canto.
“Você me observa”, disse Jacob, sem encarar.
“Desenho você. Seu corpo é interessante.”
Jacob parou. “Interessante como?”
“Cansado. Que nem minha alma.”
Pela primeira vez, o homem de ferro sentiu algo quebrar. E Bastian, que só desenhava superfícies, descobriu que até o aço pode aprender a ser macio quando bem mirado.

