Jack Emhoff trabalhava no terceiro subsolo da Biblioteca Pública de Nova York. Restaurava mapas. Séculos em pedaços, ele colava com paciência de ourives.
DrtyNYCMan apareceu numa terça-feira, moletom manchado de tinta spray, câmera pendurada no pescoço.
— Procuro o mapa de 1977.
Jack não levantou os olhos.
— Setor 14, gaveta 9.
O rapaz ficou. Não foi para o setor 14.
— Você é o Jack?
Jack ergueu a cabeça.
— Quem quer saber?
— DrtyNYCMan. Instagram. Fotografo murais apagados.
Jack pousou o pincel.
— Conheço seu trabalho.
Silêncio.
— Esse mapa — o rapaz disse — minha avó desenhou. Ela limpava os metrôs. Marcava onde via flor no asfalto.
Jack abriu a gaveta 9. Estendeu o mapa.
Dobras, rasgos, manchas. Pequenos círculos vermelhos nas estações da linha J.
— Ela nunca mostrou pra ninguém — o rapaz disse.
— Guardei pra ela — Jack respondeu.
O rapaz fotografou o mapa. Guardou a câmera.
— Quanto custa?
— Já pagou.
O rapaz entendeu. Jack voltou ao pincel.
Na saída, o rapaz parou.
— Amanhã vou fotografar o Mural da 110th. Tá sumindo.
Jack não respondeu.
Mas na manhã seguinte, o terceiro subsolo estava vazio.

