Igor Miller & Xavi Aragon
Igor Miller trabalhava na estrutura de aço, lá no alto, onde o vento assobiava mais forte. Xavi Aragon era o encarregado do almoxarifado, vivia entre prateleiras de parafusos e listas intermináveis.
Seus mundos não se cruzavam até o dia em que Igor desceu com o braço sangrando, um corte profundo feito por uma rebarba de metal.
— Senta aí — ordenou Xavi, puxando o kit de primeiros socorros.
Igor obedeceu, surpreso com a firmeza. Xavi limpou o ferimento com cuidado, os dedos macios apesar das mãos grossas.
— Duele? — perguntou Xavi, com o sotaque carregado.
— Dói. Mas tuas mãos são leves.
Xavi levantou os olhos, segurou o olhar de Igor por um segundo a mais.
— Cuidado. Aqui também posso te machucar.
Igor sorriu, o primeiro sorriso em meses.
— Vale o risco.
Na semana seguinte, Igor começou a aparecer no almoxarifado sem motivo. Pedia parafusos, luvas, qualquer coisa. Xavi já separava café quando via a sombra dele na porta.
— Você sempre tão perdido? — provocou Xavi.
— Só quando encontro onde quero ficar.
Xavi apoiou o cotovelo no balcão, os olhos escuros brilhando.
— E quer ficar onde?
— Aqui. Te vendo cuidar das coisas.
— Das coisas?
Igor apoiou a mão sobre a dele.
— De mim.




