Igor lucios fucks Nico Bello
O sol da tarde atravessava as persianas quebradas. Igor Lucios empilhou as últimas caixas no caminhão e limpou o suor da testa.
— Acabou — disse, mais pra si mesmo.
Nico Bello apareceu na porta do galpão, os óculos escuros refletindo a poeira.
— Acabou nada. Começou.
Igor jogou a corda por cima da carga.
— Filosofia barata, Nico.
— Filosofia é cara. Isso é sabedoria de rua.
Desceram juntos a escada de ferro. O galpão vazio ecoava cada passo.
— Vai sentir falta? — Nico perguntou.
— Do cheiro de mofo e conta atrasada? Não.
— Das noites.
Igor parou. Acendeu um cigarro.
— Das noites, talvez.
Nico encostou no corrimão.
— Lembra da primeira vez que a gente se viu aqui? Tu tava dormindo no chão, com uma garrafa vazia na mão.
— Tava esperando você.
— Mentira.
— Verdade. Sabia que cê ia aparecer.
Nico riu, baixo.
— E apareci.
— Pois é. E ainda tá aqui.
Desceram os últimos degraus em silêncio.
Na porta, Nico estendeu a mão. Igor apertou.
— Próxima parada? — Nico perguntou.
— Fronteira. Depois, Deus sabe.
— Leva isso.
Nico entregou um envelope. Igor guardou sem olhar.
— Tchau, Nico.
— Tchau, Igor.
O caminhão arrancou. Nico acendeu um cigarro e ficou vendo a poeira sumir na estrada.






