
A madrugada em Chelsea tinha um silêncio peculiar, quebrado apenas pelo rangido distante de um caminhão de lixo e pelo zumbido das luzes de néon. Danny Bianchi arrumava a última cadeira na mesa de madeira do Pane di Casa, sua pequena padaria italiana. A farinha era sua segunda pele, o cheiro de fermento mãe seu perfume. Cinco anos desde que herdara o lugar do avô, e cada rosca de pão, cada cornetto era um ato de amor e uma trégua contra a saudade.
Às 4:17 da manhã, como um relógio, a porta do fundo, que dava para o beco, se abria. Henry entrava, sem bater. Nunca batia. Ele trabalhava na lavanderia industrial três ruas abaixo, e seu turno terminava quando o de Danny começava. O primeiro mês, Danny quase pulou do próprio corpo ao vê-lo, um homem grande e silencioso aparecendo na penumbra da cozinha. Mas Henry apenas acenava com a cabeça, tirava o gorro e sentava-se no mesmo banco, no canto, onde não atrapalhava.
Era uma presença constante e quieta. Henry não pedia nada. Danny começou a deixar uma caneca de café preto e uma rossetta ainda quente, o pãozinho crocante e vazado que lembrava uma pequena rosa de massa. Henry pegava, murmurava um “obrigado” que mais parecia um sopro, e comia olhando para as mãos de Danny trabalharem a massa.




