Heitor Baumann sempre gostou de palavras complicadas. Kallel Linharese preferia as simples. Apesar da diferença, eram vizinhos de porta no mesmo corredor.
Certa tarde, Heitor parou Kallel no elevador.
— Preciso de uma elucidação — disse ele, sério. — Minha planta está definhando. Examinei o solo, ajustei a fotoperiodicidade, mas nada. Você entende dessas coisas.
Kallel olhou para o vaso que Heitor segurava.
— Regou hoje?
— Não. A irrigação é programada para…
— Regue.
Heitor franziu a testa, mas foi até o apartamento, encharcou a terra e voltou.
— Obrigado. Verificaremos a eficácia do método.
No dia seguinte, a planta estava viçosa. Heitor bateu na porta de Kallel.
— Funcionou. Como soube?
Kallel deu de ombros.
— Sua planta tava com sede.
Heitor ficou um instante em silêncio, processando a informação.
— Às vezes — disse por fim —, a explicação mais simples é a mais correta.
Kallel sorriu.
— Pois é. Até parece que você aprendeu alguma coisa.
Heitor olhou para a planta, depois para ela.
— Acho que aprendi, sim.

