Gonzo and Bastian Moreyra fuck
A biblioteca municipal cheirava a mofo e papel velho. Gonzo atravessou a sala principal com passos cautelosos, os olhos percorrendo as estantes altas que pareciam tocar o teto.
— Bastian? — chamou, a voz ecoando entre os livros.
Ninguém respondeu.
Conhecia Bastian Moreyra há quinze anos. Conhecia seus silêncios, seus sumiços, suas manias. Mas nunca o vira assim: desaparecido por três dias, sem aviso, sem recado.
Subiu as escadas em caracol até o segundo piso. Lá, entre os livros de filosofia, encontrou-o. Bastian estava sentado no chão, pernas cruzadas, um volume aberto no colo.
— Estás aqui — Gonzo suspirou, aliviado.
Bastian ergueu os olhos, vermelhos de insônia.
— Descobri uma coisa — disse, a voz rouca. — O autor deste livro… é meu pai.
Gonzo sentou-se ao lado. Não fez perguntas. Apenas ficou ali, ombro contra ombro, enquanto a tarde caía lá fora.
— Sempre pensei que era adotado — Bastian continuou. — Mas ele deixou isto para mim. Na dedicatória.
Gonzo pegou o livro, leu as palavras escritas à mão: “Para o meu filho, que um dia entenderá.”
— Entendes agora? — perguntou Gonzo.
— Não. Mas tenho tempo.
Ficaram ali até o bibliotecário apagar as luzes.




