Gael Riok and John Bachalli flip fuck
O relógio da igreja badalou meia-noite quando Gael Riok entrou no bar. Os copos na estante tilintaram com o impacto da porta. John Bachalli nem levantou os olhos do balcão.
— Fecha isso. Tá entrando vento.
Gael empurrou a porta com o cotovelo e sentou no banco ao lado. O couro rangeu. John continuou lustrando o mesmo copo há dez minutos.
— Você sabe por que eu vim — Gael disse.
John colocou o copo de lado. Pegou outro.
— Sei. Mas não vou te ajudar.
— Não tô pedindo ajuda. Tô pedindo o que é meu.
John Bachalli riu, um riso seco, sem graça.
— Teu? Nada é teu, Gael. Você aprendeu isso na marra, mas não aprendeu direito.
Gael Riok segurou o balcão com as duas mãos. As juntas brancas.
— O mapa. Onde tá?
— No mesmo lugar de sempre.
— Que lugar?
John finalmente olhou pra ele. Os olhos eram dois caroços de azeitona, pretos, parados.
— Na sua cabeça. Você que desenhou, você que esqueceu. Eu só guardei o papel.
Gael piscou. A ficha caiu devagar, feito fumaça.
— Eu…
— Bebeu demais naquela noite, Riok. Apagou. E eu fiquei com o desenho. Mas sem você, ele não vale nada.
O vento uivou lá fora. Gael enterrou o rosto nas mãos.




