Fucking Wagner – Indio Brabo, Wagner Vittoria
O bar da esquina fervia no fim de tarde. Copos suados, risadas grossas, sinuca batendo. Indio Brabo empurrou a porta de madeira com o ombro, os olhos varrendo o salão até encontrar a mesa do fundo.
Wagner Vittoria estava lá, sozinho, um copo pela metade na frente.
— Me disseram que você tava me procurando — Indio falou, puxando uma cadeira sem pedir.
Wagner ergueu os olhos devagar.
— Disparam.
— E por quê?
— Porque você deve explicação.
Indio inclinou o corpo pra frente, os cotovelos na mesa.
— Não devo nada pra ninguém.
— Deve pra mim.
O silêncio pesou. No balcão, alguém riu alto. Aqui, nada.
— Tá falando daquilo — Indio disse, mais baixo.
— Tô falando daquilo.
Indio passou a mão no cabelo, os dedos tremendo um pouco.
— Eu não tive escolha.
— Sempre tem escolha.
— Não naquele dia.
Wagner segurou o copo, os nós dos dedos brancos.
— Você me deixou lá.
— Eu voltei.
— Voltou tarde.
O silêncio de novo. Indio baixou a cabeça.
— Eu sei.
Wagner ficou um tempo olhando. Depois levantou, colocou uma nota sobre a mesa e passou por ele.
— Agora você sabe.






