Flip-fuck with Chris Levant and Ricky Hard
Chris Levant passava os dias a catalogar o céu. Era astrónomo, mas preferia dizer que colecionava estrelas mortas — luz que viajava há séculos para chegar aos seus olhos. Guardava mapas celestes na memória e solidão no peito.
Ricky Hard continuava a fazer rondas noturnas. O casino era o seu mundo, as mesas de jogo o seu deserto. Acreditava em factos, números, na certeza do chão. Não olhava para o céu há anos.
Encontraram-se num telhado, sem se conhecerem. Chris montava o telescópio para mais uma noite de trabalho. Ricky fugia de uma perseguição, preciso de um esconderijo.
— O que estás a fazer? — perguntou Ricky, ofegante.
— A namorar estrelas mortas — respondeu Chris, sem se virar.
Ricky aproximou-se. Olhou pelo telescópio. Viu um ponto brilhante.
— Essa ainda vive?
— Aquela já morreu. O que vês é o fantasma dela.
Ricky afastou-se.
— Fantasmas. Só me faltava essa.
Mas não saiu. Ficou. Durante horas, ouviu Chris explicar constelações, buracos negros, a poeira de onde viemos.
— Sabes — disse Ricky, quando o céu começou a clarear —, nunca quis olhar para cima. Sempre tive medo do que não posso tocar.
Chris sorriu, a primeira vez em meses.
— Toca aqui — disse, estendendo a mão.
Ricky tocou. E percebeu que há estrelas que não precisam de morrer para nos guiarem para casa.




