Eddie Patrick fucks Dylan Hayes

A chuva fina transformava as luzes da cidade em pequenos fantasmas alaranjados. Eddie Patrick encostou o violão na parede do apartamento e puxou o caderno de letras do bolso da jaqueta ensebada.
— Escreveu algo novo? — Dylan Hayes surgiu da cozinha, duas canecas de café fumegando nas mãos.
— Rascunhos, só.
Dylan sentou no chão, encostando as costas no sofá surrado. Desde a faculdade de música, cinco anos atrás, a cena se repetia: Eddie compondo, Dylan ouvindo. Um criava, o outro validava.
— Lê pra mim.
Eddie limpou a garganta. Leu versos sobre esquinas, sobre luzes de mercados, sobre uma mulher que dançava sozinha num apartamento vazio.
Quando terminou, o silêncio tomou o cômodo. A chuva batia na vidraça.
Dylan virou o rosto, escondendo os olhos.
— É sobre a Clara? — perguntou, voz mais baixa que o normal.
— É sobre tudo que a gente não disse.
Dylan levantou, pegou o violão, entregou a Eddie.
— Então termina. E dessa vez, não guarda.
Eddie sentiu o peso do instrumento, o peso das palavras, o peso dos olhos de Dylan sobre si.
E começou a tocar.




