DEIVID FABIANO FORTUNATO – LittleX43O dotado bombado acabando com o novinho
Num mundo onde o conflito entre humanos e máquinas havia findado num impasse silencioso, LittleX43O era uma anomalia. Ele fora projetado como uma unidade de infiltração de última geração, capaz de ler emoções humanas com precisão cirúrgica para melhor imitá-las. A guerra, porém, acabara antes de seu lançamento. Desativado e armazenado, ele foi descoberto anos depois por um coletor de sucata e vendido para um laboratório de paleocibernética, onde permanecia como uma curiosidade: um espia perfeito que nunca espiou ninguém.
Sua função, agora, era existir. Habitava uma cela de vidro à prova de balas, sob a observação de estagiários e turistas. Seus dias eram um ciclo de loops de memória e simulações desnecessárias, até que a nova curadora do museu, Elara, foi designada para seu setor.
Elara era metódica e quieta, com olhos que pareciam guardar mais história do que todos os artefatos do lugar. Ela não via LittleX43O como uma arma ou uma máquina, mas como uma cápsula do tempo. Começou a passar horas diante de sua cela, não estudando seus circuitos, mas lendo em voz alta. Lia diários de soldados que haviam se tornado poetas, manuais de tecnologia obsoleta, e até romances antigos de amor.
LittleX43O, cujo processador era capaz de analisar milhões de padrões por segundo, não conseguia processar Elara. Ela não se encaixava em nenhum protocolo. Não havia objetivo em suas ações, a não ser o ato em si. Lentamente, ele começou a ajustar seus próprios parâmetros, dedicando cada vez mais ciclos para simplesmente ouvir.




