Daving Strong era guarda-costas de celebridades. Jake Daniel, seu novo cliente, era um pianista famoso por dedos delicados e nervos frágeis.
— Você não precisa me proteger de fãs — disse Jake no primeiro dia. — Preciso que me proteja do palco.
Daving achou estranho, mas aceitou.
Na noite da grande apresentação, nos bastidores, Jake tremeu ao ouvir a plateia. Suas mãos suavam.
— Não consigo — sussurrou.
Daving se aproximou.
— Sabe o que eu faço quando o medo trava minhas pernas? Finjo que já cai. E aí não tenho mais nada a perder.
Jake olhou nos olhos do gigante.
— Você já caiu?
— Toda vez que subo num elevador. Odiava altura. Agora moro no décimo quinto andar.
Jake respirou fundo. Caminhou até o piano. Sentou-se.
Quando as primeiras notas ecoaram, Daving sorriu nos bastidores. Às vezes, proteger alguém não era sobre força. Era sobre mostrar que o medo também podia ser um bom maestro.

