Daniel Zambrano colecionava mapas. Andres Milan colecionava histórias de lugares onde nunca tinha ido. Eram vizinhos de mesa em uma cafeteria lotada, mas nunca trocaram uma palavra até o dia em que Daniel deixou cair uma pasta repleta de folhas amareladas.
Andres se abaixou para ajudar e reconheceu o desenho de uma praça que existia apenas em sua memória.
— Essa é a Plaza de las Sombras — disse, apontando para o traço torto. — Meu avô contava que ali tinha um pé de laranja que dava fruto até no asfalto.
Daniel levantou os olhos do papel.
— Meu pai me falou dessa praça. Ele cresceu ali. Sempre quis encontrar, mas disseram que foi destruída nos anos 80.
Andres sorriu, tirou um pequeno mapa rabiscado do bolso e o estendeu sobre a mesa.
— Então senta aí. Porque eu sei exatamente onde ela ficava. E ainda tem um pedaço do muro de pé.
Naquela tarde, deixaram a cafeteria juntos. O mapa os esperava.

