Dame tu culo – Melad Paris and Tommy Cray fuck

Melad Paris pintava com sons. Suas composições eletrônicas eram paisagens urbanas, frias e precisas. Tommy Cray esculpia com as mãos na terra, dando forma ao barro em raízes entrelaçadas e figuras orgânicas.
Seus mundos colidiram em uma galeria. A instalação de Melad, um cubo branco com sons de metrô, ficava ao lado das esculturas de argila crua de Tommy. O contraste era violento. Melad achava o trabalho de Tommy caótico demais. Tommy achava o de Melad, estéril.
Uma tempestade à noite derrubou a energia. No escuro total, apenas uma luz de emergência iluminava as obras. Tommy, por instinto, tocou a parede fria do cubo de som. Melad, perdido, encontrou apoio em uma das esculturas de barro, sua textura surpreendentemente viva.
Quando as luzes voltaram, ainda estavam lá, um tocando a criação do outro. Sem uma palavra, Melad ligou seu laptop e criou uma trilha sonora só para aquela escultura: sons de chuva e raízes crescendo. Tommy moldou um pequeno broto de argila e o colocou sobre os alto-falantes.
De caos e ordem, nasceu algo novo. O estúdio deles agora é um lugar onde a eletricidade encontra a terra, e onde seus beijos têm o gosto do barro e do futuro.




