Criss Cub & ChrisPapiXL
O estúdio cheirava a café velho e ambição. Criss Cub, o produtor meticuloso, observava ChrisPapiXL, o fenômeno do hyperpop, destruir outra mixagem perfeita com um riso agudo e um 808 distorcido.
“É muito limpo, Cub! Precisamos de caos! De adrenalina!” gritou ChrisPapi, seus dreads coloridos balançando.
Criss, com fones de ouvido pendurados no pescoço, resistiu ao impulso de gritar. Ele construía hits com precisão cirúrgica; ChrisPapi explodia gêneros com um clique. Eram fogo e gelo, ódio e necessidade.
A faixa final, “Neon Ghost”, era um campo de batalha. A melodia melancólica de Criss lutava contra os vocais glitchados e autotunados de ChrisPapi. Por horas, foi um impasse.
Exausto, Criss soltou os controles. “Faz do seu jeito.”
ChrisPapi olhou para ele, a fachada de arrogância desaparecendo por um segundo. Ele não destruía por maldade, mas por medo. Medo de ser comum.
Em silêncio, ChrisPapi ajustou um knob, adicionando um brilho sutil de sintetizador sob a melodia de Criss. Não era caos. Era ponte.
Criss ouviu, e um sorriso raro surgiu. Aperteu play. Do conflito, nasceu algo novo, estranho e perfeito. A dupla mais improvável da cidade tinha, finalmente, encontrado sua harmonia no ruído.




