Chris Damned really knows how to fuck (with Eli Shaw)
O relógio na parede marcava 3h33 quando Chris Damned acordou do mesmo pesadelo. Três anos. Três anos desde que a escuridão veio buscá-lo.
Sua mão tocou o lado esquerdo do peito. Nada. Nem uma batida. Apenas o vazio gelado que aprendera a chamar de lar.
— Três anos — sussurrou para o quarto vazio.
As paredes ouviam. Sempre ouviam. Cobradas de fotos rasgadas, bilhetes nunca enviados, uma coleção de arrependimentos empoeirados.
Chris levantou-se, os pés descalços no chão frio. No espelho, um estranho o encarava. Olhos escuros, profundos como poços sem fundo. Cabelos compridos, desgrenhados. A marca na clavícula, escondida pela camisa preta.
— Você devia ter morrido naquela noite — disse ao reflexo.
O reflexo não respondeu. Nunca respondia.
Abriu a janela. O vento noturno entrou, trazendo cheiro de chuva e liberdade. Lá embaixo, a cidade pulsava, alheia à sua existência.
Chris Damned sentou no parapeito, as pernas balançando no vazio. Não para pular. Apenas para lembrar que ainda podia escolher.
— Talvez amanhã — murmurou.
E pela primeira vez em três anos, quase acreditou.






