Chris Damned sempre acreditou que seu destino era a escuridão. Lionel Lilac, ao contrário, vivia cercado de flores e poesia. E Ruslan Angelo era o equilibrista — amigo de ambos, tentando unir mundos opostos.
Numa noite de lua cheia, Ruslan organizou um piquenique no jardim botânico. Convenceu Chris a sair do apartamento escuro e Lionel a trazer suas violetas. A lua iluminava as mesas.
Chris chegou de sobretudo preto, evitando olhares. Lionel estendeu um cobertor colorido e ofereceu chá de camomila. Ruslan, sorrateiramente, sumiu entre as árvores.
“Por que veio?”, perguntou Chris, desconfiado.
Lionel sorriu. “Porque Ruslan disse que você precisa de alguém que não tenha medo das suas sombras.”
Chris riu, amargo. “E você não tem?”
Lionel tocou sua mão. “Tenho. Mas escolhi ficar.”
O silêncio se alongou, confortável. Ruslan observava de longe, orgulhoso. De repente, Lionel inclinou-se e beijou a testa de Chris. O gesto simples desmanchou anos de armadura.
Chris suspirou. “Não sei fazer isso. Sentir.”
“Não precisa saber. Eu sinto por nós dois”, respondeu Lionel.
Ruslan voltou com um buquê de lírios. “Para o começo de algo novo.”
E ali, entre flores e estrelas, Chris Damned entendeu que até os condenados merecem uma chance de amar.

