Carter Collins e Roman Todd eram tudo o que um não suportava no outro. Carter, metódico e reservado; Roman, imprevisível e barulhento.
Trabalhavam no mesmo arquivo morto. Carter organizava pastas por cores; Roman empilhava tudo de qualquer jeito.
— Seu caos me dá alergia — disse Carter certa tarde.
— Sua rigidez me dá sono — respondeu Roman, sem tirar os pés da mesa.
Na semana seguinte, Roman faltou. Ninguém sabia onde estava. Carter, sozinho, encontrou entre os papéis desordenados um bilhete: “Cuidado com a gaveta três.”
Abriu a gaveta. Lá dentro, um mapa desenhado à mão levava ao porão. Carter desceu e encontrou Roman sentado no chão, com o tornozelo torcido, tentando consertar o cano que vazava há meses.
— Por que não pediu ajuda?
— Porque você só ajuda quem merece ordem — riu Roman, com dor.
Carter ajudou-o a subir. No dia seguinte, reorganizou o arquivo — mas deixou uma pilha torta propositalmente.
Para Roman.

