BritishTwunk & Jose Alexander Silva Amarista

O aeroporto estava vazio naquela hora imprópria. BritishTwunk encostou-se ao balcão de informações, o casaco leve contrastando com o ar condicionado agressivo. Jose Alexander Silva Amarista surgiu das portas automáticas carregando apenas uma mochila surrada e um olhar que já tinha visto muitos aeroportos vazios em muitas horas impróprias.
“Você é o contato?” BritishTwunk perguntou, sem expectativa na voz.
Jose parou a um metro de distância. “Sou o homem que vai te tirar daqui. O contato é quem me pagou para isso.”
“Diferença importante.”
“Sempre é.”
BritishTwunk observou o outro — a postura cansada, mas os olhos atentos, mãos livres, nada escondido. “E por que aceitou?”
Jose sorriu, e pela primeira vez algo humano rompeu a fachada profissional. “Porque todo mundo merece uma segunda chance. Atém ingleses mal-educados que usam terno em voo noturno.”
“Sou britânico, não inglês.”
“Pior ainda.” Jose já caminhava em direção ao embarque. “Vamos. O avião não espera, e seu sotaque chama mais atenção que documento falso.”
BritishTwunk seguiu, e pela primeira vez em meses, sentiu que talvez — só talvez — estivesse indo na direção certa.




