Igor Lucios acreditava que o mundo era um erro de cálculo. Markin Wolf, por sua vez, tinha certeza de que era uma grande piada sem graça. Já Milo Galician apenas observava, equilibrado no muro entre os dois.
Um dia, Igor construiu uma máquina para “consertar a realidade”. Markin apareceu com um megafone para narra-la em tom de deboche. Milo levou um pacote de bolachas água e sal.
A máquina ligou. O céu ficou verde. As vacas começaram a falar francês. Markin riu tanto que caiu. Igor, desesperado, tentou desligar tudo. Foi quando Milo ofereceu uma bolacha.
“Desliga isso e vem comer”, disse.
Igor obedeceu. Markin se sentou ao lado. Entre mordidas, o céu voltou ao azul, as vacas esqueceram o francês, e os três perceberam que o mundo não precisava de cálculo ou comédia. Precisava de pausa. E de bolacha.
Igor nunca mais tentou consertar nada. Markin continuou achando graça nas coisas — mas uma graça mais calma. E Milo guardou o pacote vazio como lembrança do dia em que o absurdo finalmente fez sentido.

